Condição abstrata
O que nos faz acreditar que os dias se repetem?
Tava refletindo sobre datas. A utopia de controlar o tempo, eu poderia dizer... É, esse sempre me foi um assunto complicado. Mas sobretudo ponderei e achei reprovável o método semanal de medir o tempo. Tudo bem que horas e datas como essas 6:20am do dia 21.6.6 nunca vão se repetir; é, o tempo nunca se repete... Mas o ciclo semanal cria um certo padrão de "clima".
Só mesmo uma menina tão vagabundamente desocupada como eu pra perceber que segundas, sextas e domingos são iguais entre si... e que o clima de um dia independe dessa datinha repetitiva. Então eu percebi o quanto é em vão essa rotulação de segundas-feiras temíveis, sextas-feiras expectativas e domingos monótonos. A cultura, a vida urbana, os compromissos, o padrão de atitudes programadas, caracterizam essas datas, fazendo todas as segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos parecerem iguais. Mas nenhum dia é igual ao outro, nenhum momento jamais se repete... o tempo é único e constante. E eu vi esse método datário de uma forma um tanto... desprezível, quem sabe. Me pareceu uma ofensa ao senhor tempo, desrespeita-lo de uma forma tão tosca, como se o fenômeno que respiramos desmerecesse singularidade. Caralho, o tempo é algo tão fantástico! Tão inexplicável, tão... tão TÃO! E é lamentável que as pessoas tentem encurrala-lo num intervalo inconseqüente como os sete dias, criando a sensação interna de que o clima, a atmosfera, se repete nesse ciclo.
Na verdade eu acho que o método semanal de contagem do tempo foi uma estratégia para iludir os seres humanos de que possuímos algum controle sobre o tempo, o encurralando dentro dessa seqüência repetitiva. Uma jogada em nome do medo de perder a contagem, a noção do fim e do começo, pois sendo livre e respeitado em sua infinidade, seria o tempo quem nos possuiria. Não me desagrada a idéia de tentar organiza-lo em horas, dias, meses e anos, a fim de perpetuar em números um momento especial, ou não. Mas me decepciona a contagem semanal que cria sempre as mesmas sensações e expectativas diante dessas datas, como se o tempo realmente se repetisse e quartas-feiras fossem obrigatoriamente um dia sem graça.
Imaginei como seria um mundo sem a contagem semanal. Talvez só assim o tempo seria realmente livre? Talvez assim nós também fossemos livres. Permitindo-nos apenas viver as exclusivas 6:55am do dia 21 de Junho de 2006, e usar esses números para mencionar e eternizar esse instante que jamais vai se repetir, independente de um ciclo. Agora é uma manhã de quarta-feira semi fria e chuvosa, eu deveria estar me sentindo cinza, mas eu to acordada, nem dormi ainda, e só lembrei que era quarta-feira porque consultei a data agora no canto na tela. Venho me permitindo apreciar a individualidade de cada instante, por mínimo que seja, pois já acredito que nem mesmo uma fração de milésimo seja medida válida. O tempo é único e constante, e constante! E por isso qualquer tentativa de captura me parece inválida. Assim como 1 milímetro também não é a medida mínima de uma extensão. Mas isso já é outro aspecto do assunto, nem tão contestado por mim. Mas no fim, a certeza que me resta é óbvia: o tempo não se repete.
Tava refletindo sobre datas. A utopia de controlar o tempo, eu poderia dizer... É, esse sempre me foi um assunto complicado. Mas sobretudo ponderei e achei reprovável o método semanal de medir o tempo. Tudo bem que horas e datas como essas 6:20am do dia 21.6.6 nunca vão se repetir; é, o tempo nunca se repete... Mas o ciclo semanal cria um certo padrão de "clima".
Só mesmo uma menina tão vagabundamente desocupada como eu pra perceber que segundas, sextas e domingos são iguais entre si... e que o clima de um dia independe dessa datinha repetitiva. Então eu percebi o quanto é em vão essa rotulação de segundas-feiras temíveis, sextas-feiras expectativas e domingos monótonos. A cultura, a vida urbana, os compromissos, o padrão de atitudes programadas, caracterizam essas datas, fazendo todas as segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos parecerem iguais. Mas nenhum dia é igual ao outro, nenhum momento jamais se repete... o tempo é único e constante. E eu vi esse método datário de uma forma um tanto... desprezível, quem sabe. Me pareceu uma ofensa ao senhor tempo, desrespeita-lo de uma forma tão tosca, como se o fenômeno que respiramos desmerecesse singularidade. Caralho, o tempo é algo tão fantástico! Tão inexplicável, tão... tão TÃO! E é lamentável que as pessoas tentem encurrala-lo num intervalo inconseqüente como os sete dias, criando a sensação interna de que o clima, a atmosfera, se repete nesse ciclo.
Na verdade eu acho que o método semanal de contagem do tempo foi uma estratégia para iludir os seres humanos de que possuímos algum controle sobre o tempo, o encurralando dentro dessa seqüência repetitiva. Uma jogada em nome do medo de perder a contagem, a noção do fim e do começo, pois sendo livre e respeitado em sua infinidade, seria o tempo quem nos possuiria. Não me desagrada a idéia de tentar organiza-lo em horas, dias, meses e anos, a fim de perpetuar em números um momento especial, ou não. Mas me decepciona a contagem semanal que cria sempre as mesmas sensações e expectativas diante dessas datas, como se o tempo realmente se repetisse e quartas-feiras fossem obrigatoriamente um dia sem graça.
Imaginei como seria um mundo sem a contagem semanal. Talvez só assim o tempo seria realmente livre? Talvez assim nós também fossemos livres. Permitindo-nos apenas viver as exclusivas 6:55am do dia 21 de Junho de 2006, e usar esses números para mencionar e eternizar esse instante que jamais vai se repetir, independente de um ciclo. Agora é uma manhã de quarta-feira semi fria e chuvosa, eu deveria estar me sentindo cinza, mas eu to acordada, nem dormi ainda, e só lembrei que era quarta-feira porque consultei a data agora no canto na tela. Venho me permitindo apreciar a individualidade de cada instante, por mínimo que seja, pois já acredito que nem mesmo uma fração de milésimo seja medida válida. O tempo é único e constante, e constante! E por isso qualquer tentativa de captura me parece inválida. Assim como 1 milímetro também não é a medida mínima de uma extensão. Mas isso já é outro aspecto do assunto, nem tão contestado por mim. Mas no fim, a certeza que me resta é óbvia: o tempo não se repete.


1 críticas:
Lisy filosofando...
Uii, pegou pesado, mas é isso, véi.
"medo de perder a contagem, a noção do fim e do começo"
Controle, controle... Controle de tudo.
Ai, ai
Te amo, serinteligentepensante (LLL)
23/6/06 12:47 PM
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